sábado, 25 de abril de 2026

Quando a Pista era de Verdade

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Ontem lembrei da minha transição da fase adolescente para jovem adulto. Ainda era uma fase leve, onde não tinha muitas responsabilidades. Apenas sobreviver e viver que meus pais me deram. Naquela época gostava muito de sair com meus amigos e, definitivamente, era uma época gostosa, não só porque vivi, mas porque era leve. Não existiam celulares e rede móvel de dados que registrassem tanto as coisas que aconteciam, as pessoas eram mais libertas, também por este motivo. Mas sabe o que era gostoso, as músicas e as pessoas se "jogando" na pista de dança. Eu sempre me perguntava o motivo pelo qual dançava, prazer de ouvirem a um bom som e uma forma de expressarem este sentimento?


Me recordo bem quando ainda não havia aplicativos de encontro (pegação), os quais não entendo bem como funcionam até hoje, porque não sou adepto. Mas as pessoas olhavam umas para as outras, através desse olhar sabiam o que ocorreria adiante. Era algo interessante de observar e quando acontecia comigo, era algo impactante, pelo menos os que me olharam. Parecia que desnudavam a alma, um olhar sem filtro, que te via completamente isento de qualquer coisa, sentimento, fingimento e roupa! Não era bem um jogo de sedução claramente anunciado, mas a demonstração de um interesse supostamente legítimo.

 

Neste devaneio acabei por lembrar a última vez que fui em uma boate/danceteria (sei lá como chamamos hoje). Mas tudo mudou muito, hoje toca sertanejo (nada contra! Mas também nada a favor!), as músicas não são mixadas, a maioria toca como um POP e com intervalos que param a pista de dança. Se isto não for comum na cidade que habito, peço desculpas, mas se for, precisam rever isso, mais parece um coito interrompido a um ritual de expressão sentimental frente ao prazer apresentado (única).

 

Ok, me foco aqui é a paquera e o olhar. Sinceramente era algo mais bonito que hoje. As pessoas costumavam se olhar, mas ao contrário que antes, hoje as pessoas olham, mas para o celular.... Se faz sentido? Não para mim, pois a vida acontece ali ao redor, não em uma tela de celular. Logo, senti a mudança e, sinceramente, não me pegou, não consegui seguir a tendência, acabei me retraindo no quesito paquera que  ali era superficial, previsível, um jogo barato de cartas marcadas e mediado por tendências estranhas e rasas, mas escutei e dancei as músicas, quando não era interrompido entre a troca delas, seja por pendrive, CD ou até mesmo LP.

 

Confesso, acho que chegou firme e forte o "jovem senhor" (que a geração Z carinhosamente chama os indivíduos velhos, mas que nem tem ao menos o estudo para saberem que a expectativa de vida aumentou e que velho está além de números) ou um cara que percebeu o que foi perdido e não aceita bem a substituição por qualquer coisa rasa.

 

Digital Love

sábado, 4 de abril de 2026

A vida Poderia Ser Fácil?


Hoje levantei cedo achando que seria apenas mais um dia. Não que eu o desmerecesse como um dia qualquer, mas apenas imaginei que seria mais um dia de vida comum. Até então, a vida não havia me trazido nada de especial.

Durante a tarde, buscando algum entretenimento, acabei revendo um filme que um dia já havia me tocado. Desta vez, porém, ele me trouxe uma reflexão diferente: o que de fato já foi fácil um dia?


Quando vemos filmes ambientados em tempos antigos, sem pensar muito, poderíamos imaginar que a vida fosse mais simples do que hoje. Mas, sob uma análise um pouco mais fria e reflexiva, não é difícil perceber que “antigamente” nunca foi sinônimo de facilidade.


Por volta de 19hs00, a vida não era saturada de informações e estímulos como é hoje. Por outro lado, a falta de recursos materiais tornava tudo mais difícil. Faltavam medicamentos, alimentos seguros, veículos, assistência médica, profissionais capacitados e tantas outras coisas que hoje consideramos básicas.


No campo moral, a rigidez social era predominante. Valores eram estabelecidos de forma firme e dificilmente se dobravam a mudanças repentinas ou modismos. Talvez até existissem tentativas de ruptura, mas elas provavelmente encontravam um grande “não” coletivo.


Hoje a situação parece invertida. Aquilo que antes faltava e hoje chamamos de básico para sobreviver, medicamentos, alimentos embalados, transporte, infraestrutura, tornou-se comum. Temos penicilina, arroz ensacado, carne congelada, carros e rodovias.


Ainda assim, continuamos sendo pressionados por novas exigências: carros importados, casas “instagramáveis”, corpos perfeitos, carreiras bem-sucedidas. A pressão agora é interna. O indivíduo passa a se cobrar constantemente por padrões que muitas vezes nem são seus.


De certa forma, os problemas evoluíram. Mudaram de forma, de objeto e de linguagem, mas a dificuldade permaneceu.


Vivemos em uma época em que, sob uma espécie de liberdade vigiada, podemos ser quem quisermos ser. Ao mesmo tempo, a ausência de certa rigidez dissolve valores com facilidade. O indivíduo torna-se, muitas vezes, conveniente ao momento, mostrando aquilo que deseja aparentar, e não necessariamente aquilo que realmente é.


No fim das contas, a conclusão parece simples: a vida nunca foi fácil.


E talvez não adianta esperar por uma “colher de chá” do mundo. Às vezes o melhor a fazer é olhar ao redor, analisar com calma, abandonar certas ilusões e continuar seguindo.


Sempre vivendo.


Nunca apenas sobrevivendo.

domingo, 17 de agosto de 2025

O vinho que sabe meu nome

Aniversário. Para alguns, celebração; para outros, um lembrete silencioso de que o tempo avança sem fazer concessões. Ele segue, implacável, e não devolve os dias que leva. Há quem receba a data com euforia. Eu a atravesso com a serenidade de quem, há tempos, caminha pela mesma trilha discreta.


O dia foi simples: passos lentos pela cidade, um almoço em silêncio, pensamentos dispersos. Entre um instante e outro, uma constatação que não é nova, mas se reafirma: vivemos numa era em que o julgamento se apoia mais na superfície do que na essência. É uma pressa para concluir, para decidir, para eleger o que importa — tudo filtrado pela aparência. E, nesse filtro, perde-se muito do que realmente conta. Não é apenas uma questão de idade, mas de um ritmo que privilegia o imediato em detrimento do consistente.


Mais tarde, refugiei-me no piano. Horas inteiras de música, só eu, as teclas e um pouco de vinho branco, como se o tempo suspendesse sua tirania. O som preenchia o espaço, e naquele momento pouco importava quantos aniversários já haviam passado. Não houve festa, mas houve música. Não houve coro, mas o vinho sabia meu nome.


Com o avançar dos anos, a vida revela contornos que a juventude suaviza: o amor quase sempre exige aparência, a ausência de filhos pode ser liberdade ou abandono, a velhice traz consigo um inventário de perdas e a solidão, quando não escolhida, veste-se de independência. Ainda assim, persiste um espaço íntimo onde as pequenas epifanias resistem: a melodia que se encaixa perfeita, o gole que chega no ponto certo, a percepção de que, mesmo sem plateia, existe beleza em permanecer.


Talvez seja esse o verdadeiro legado de cada ano que se encerra: a capacidade de cultivar momentos que não precisam de validação alheia, mas que, no silêncio, registram o esforço de continuar vivo.


No more Sigh

quarta-feira, 14 de maio de 2025

Entre a Lua e o Sol

 


Sem grandes pretensões — talvez em busca de ar ou apenas de um pouco de silêncio antes do dia começar, olhei para o céu ao final da madrugada. Mas o que encontrei foi um presente: de um lado, a lua ainda firme no céu, discreta em seu posto noturno. Do outro, o sol rasgando o horizonte, tímido e ainda morno. Era como se o mundo não tivesse decidido se ainda era noite ou já era dia. E eu, ali no meio, suspenso.


Lembrei de Ismália, o poema de Alphonsus Guimarães. Da mulher que, ao ver a lua no céu e no mar, enlouquece de tanto desejar o inatingível. Ela queria tudo: o alto e o fundo, o brilho e o abismo. E como não coube em si, lançou-se — sua alma subindo ao céu, seu corpo descendo ao mar.


Mas hoje, diferente de Ismália, eu só contemplei. Não quis voar, nem cair. Apenas vi. E ver foi suficiente.


Há dias em que a beleza não nos exige um gesto. Só presença.


domingo, 27 de outubro de 2024

Uma Rápida Atualização de Vida



Depois de mais de um ano em silêncio, vamos a mais uma comédia desastrosa que preciso compartilhar por aqui. 

Pois é! Há mais de um ano não apareço aqui, mas quando volto é para contar as desventuras? Sim!

 

Gente, minha vida virou de cabeça para baixo quando o assunto é relacionamento. Consegui a proeza de terminar com a pessoa que tenho certeza ser o amor da minha vida. Por quê? Porque percebi que as coisas estavam desmoronando de vez, e não era só uma fase – essa, aliás, já superamos várias vezes. Havia também outros indícios e motivos que prefiro não discutir, até porque ainda me sinto "travado".

 

Enfim, foram 11 anos encerrados em uma chamada telefônica chocante que eu mesmo iniciei. Se o telefone é ou não um meio apropriado para terminar um relacionamento, se fazer isso por ele ou pessoalmente demonstra consideração... não vem ao caso. A globalização já ultrapassou essas convenções, e cada um tem suas peculiaridades – como costumo dizer, idiossincrasias.

 

Depois do término, minha vida pessoal entrou em declínio, embora minha vida profissional tenha ascendido bastante... Mas, no fim das contas, dinheiro não é tudo e não substitui a presença humana, seja em que tipo de relação for. Viagens caras para o exterior, roupas novas... definitivamente, nada disso substitui alguém ao seu lado. Pode confiar em mim.

 

Solteiro e sem me envolver com ninguém há mais de oito meses, tenho me sentido desencantado com a contemporaneidade. Vejo pessoas interessadas apenas em dinheiro, outras focadas no físico, algumas presas numa loucura que não leva a lugar nenhum. E, claro, ainda existem aqueles que buscam o "par perfeito" (Por favor! Alguém avise que isso não existe! Rs). Percebendo que esse contexto não me levaria a nada, preferi focar na espiritualidade. Mas não me tornei budista nem aderi ao celibato; apenas reafirmei o que sempre acreditei e, agora, sigo à risca: "Nosso corpo, nosso templo." É fundamental cuidar de nós mesmos e decidir quem merece fazer parte disso.

 

Hoje, mergulho no trabalho, na família, na minha solitude. Aprendi a viver bem sozinho, como sempre soube, mas com uma pergunta persistente na mente: "Onde vão parar as relações humanas?"


Parachute

 

sexta-feira, 5 de maio de 2023

Débutante



Ah! Esta semana meu blog está vivenciando seu momento "debutante", entre ida e vindas ainda vive desde dois de maio de 2008, após meu primeiro desgosto! Debutante, do francês débutante, significa estreante, iniciante. Mas no Brasil, Debutante nada mais é do que uma criança se tornando adolescente, iniciando uma nova fase em sua vida.

Acho que já iniciei e terminei várias fases da vida e esta que se inicia, sinto isso, parece ser uma mais decisiva, uma fase de escolhas para que se tornem definitivas. Deixo de viver o que quero viver a cada minuto, de forma diferente e entro para um momento de escolhas nao mais tão maleáveis como para um adolescente.

Deixo meu apreço pelo momento e, se tivesse lembrado antes, teria contado uma das minhas histórias mais especiais para o momento, mas como a cabeça não anda muito bem, perdoem-me!

domingo, 23 de abril de 2023

Um Amigo de Fortes Virtudes


Não me pergunte “o porquê” e nem como isto ocorreu, mas recentemente lembrei de um antigo amigo. O ano era 1998, tínhamos 14 anos de idade. Não lembro ao certo como, mas rapidamente ELE fez parte da minha vida. “ELE” era um rapaz bonito, cabelos loiros levemente cacheados, olhos verdes, boca vermelha e corpo bem desenvolvido para sua idade, diferente de mim, na puberdade confusa... Tinha uma personalidade forte, agressiva aos olhos externos, mas comigo era um indivíduo extremamente atencioso, carinhoso, zelava pela minha segurança e era companheiro para todas as horas.... acho que posso arriscar e afirmar que éramos o “porto seguro” um do outro.

Eu, na época, era um menino magro e mais frágil que os outros da rua, não era afeminado, mas frágil mesmo, emocionalmente abalado por adversidades que a mim afetavam naquele ano. ELE sempre estava muito perto, todos os dias depois da aula, depois das férias de verão que passava em outra cidade, depois da missa/culto, depois do almoço, enfim, estávamos próximos, juntos para compartilhar nossas vidas que, de uma forma ou de outra, julgávamos complexas e nos fazia unidos. A mãe dele era muito rígida, muito complicada e de uma religião que julgava e recriminava o mundo e ELE, sempre muito inconsequente. Eu, entrando e saindo de consultórios de psicólogos por ser taxado como uma criança agitada/desenfreada, pais tranquilos, mas o mundo complexo demais para a mentalidade de uma criança que nasceu e viveu com o acidente de Chenobyl, Guerra Fria e Guerra do Golfo na tela da TV e seu avô discutindo as questões políticas que envolviam estes entraves e suas futuras consequências, sempre negativas. Haja cabeça para uma criança!

 

Eu sabia muito bem qual era a minha predileção sexual, mas me mantinha calado, pois se a fragilidade já me prejudicava na vida, quem dirá assumir minha sexualidade naquele tempo! Nunca comentamos sobre o assunto, mas por diversas vezes nos víamos em situações complicadas um com o outro, que colocava em check a nossa relação de amigos. Mas como qualquer criança, sem entender muito, “pulávamos” rapidamente estes momentos como se fosse uma música estranha que passava por nossas cabeças e precisava ser esquecida. Hoje entendo cada clima que tivemos e a maturidade para lidar com a situação naquele momento, as loucuras, as aventuras e desventuras em campos minados... Cítrica infância...

 

Mas queria mesmo compartilhar um fato íntimo nosso, um momento que eu posso realmente relatar sem qualquer desconforto.

 

Certa vez estávamos no quarto de um hotel, onde ELE se hospedou, fugindo da sua mãe (ele se passava por um adolescente de 18 anos tranquilamente e conseguiu essa façanha!) e simplesmente ele sentiu uma súbita vontade de tomar banho de banheira, me convidou, mas logo recusei, principalmente por nunca ter ficado nu na frente de um amigo (isso estava na minha cabeça, mas fato é que já tinha ficado sim e com ELE mesmo). Sabendo que eu não iria embora, ele foi para o banheiro e me chamou:

 

- Hey, Mister Thinker! Tudo bem se você não quiser tomar banho de banheira comigo, mas me acompanhe, vamos conversar!

 

Continuei próximo, enquanto via o meu melhor amigo se despir, tirou a blusa e mostrou seu forte peitoral cravado em sua pele clara, tirou o short e ali estavam seus lindos pelos loiros em seus membros inferiores e o auge foi quando tirou a roupa íntima, confesso que não disfarcei. Ali percebi o quanto eu me sentia atraído e hipnotizado por ele que, por sua vez, falava e exibia suas qualidades físicas sem pudor e eu simplesmente prestava atenção nELE, não no que ele dizia, me senti seduzido! Até que ele se atenta:

 

- Mister Thinker, eu estou aqui, olhe para cima e me veja! Está me escutando?

 

Confesso ter ficado estarrecidos quando percebi que ele havia notado que eu estava olhando para suas partes íntimas, mas não escondi dele uma verdade, assustado falei:

 

– Desculpe, mas nunca havia visto um cara pelado assim! (Mentira! Já o vi pelado antes e no mesmo contexto de sedução!)

 

Embora ele soubesse que não era a primeira vez que eu o via nu, optou por expor seu sorriso e reafirmar:


- Ok, mas eu estou aqui (apontou para o seu rosto).

 

Lembro exatamente de ter fechado os olhos e da sensação do meu rosto arder de tanta vergonha, fingir a concentração em seu rosto e a cabeça estar em outro mundo. Não era a primeira vez que passávamos por esta situação, mas a condução sempre era esta, de ignorarmos o fato de que tínhamos atracão um pelo outro e seguirmos nossa amizade.

 

Alguns dias depois, por minha culpa, não éramos mais amigos, na verdade, desaparecemos um da vida do outro, uma abrupta interrupção da nossa relação, por eu não ter sido leal a ele.  Não sabia o que era lealdade e pagaria por isto, ao mesmo tempo que fortaleceria esta virtude que marca hoje todas as searas da minha vida.

 

Como disse lá no começo, não sei o que desencadeou esta lembrança que não recordava há pelo menos 30 anos. Loucura? Saudosismo? Indiferente... Duas coisas me pergunto hoje, mas sem arrependimentos: Será que deveríamos ter dado este importante passo e assumíssemos nossos interesses um pelo outro? Se tivéssemos feito isto, algo em nossas vidas teria mudado?

 

Sem saber a resposta, apenas guardo seu sorriso e suas fortes virtudes de um menino que já era homem e não sabia, mas que teria grandes chances de entrar em enrascadas se não tivesse seu “porto seguro”.


Dream a Little Dream of Me