quarta-feira, 18 de abril de 2012

Quinze Minutos


Com família para lidar, filho para criar e negócio para gerar, está cada vez mais complicado parar por aqui e declarar aquela verdadeira verborragia de diálogos desenfreados e similar a uma diarréia mental. Mas confesso: Estou sentindo muita falta disto!

Como era bom ter tempo para mim mesmo, Mister Thinker, todos os dias da semana grudado à Internet, escrevendo, surtando, brincando, azarando, demonstrando meu eu interior que nem metade de meus amigos conhecem...

- Mas Mister Thinker? Este tipo de nostalgia assemelha-se insatisfação à vida contemporânea, certo?

- Errado! Estou completamente satisfeito sim com minha família, minha situação atualmente “morosa”, diga-se de passagem.

Acho que nada na vida é muito fácil, e se fosse, tenho certeza que a opção melhor seriam as coisas difíceis. Imagina, se todo mundo fosse rico, tivesse o que quisesse, o que mais queriam querer? Obvio! O que você não consegue ter! Respirar dentro da água, voar com asas próprias, enfim, o inviável, claro!

Então, postei hoje para informar-lhe que tudo está muito bem e sob controle, família, Husky Siberiano, Afrodite, minhas diarréias mentais não secretadas, dentre outros, e o mais importante, peço a todos 15 minutos para retornar com algumas novidades e com força total. Sejam lá os 15 minutos metafóricos de Mister Thinker ou idiossincráticos pensados por vocês, quinze minutos para pensar, para viver, para mudar, me dêem apenas 15 minutos que volto já.


domingo, 19 de fevereiro de 2012

Descrente


Ainda não acreditando na morte do meu melhor amigo, contatei sua irmã que encontrou comigo rapidamente para me entregar as chaves do apartamento dele que ainda não fora vendido.

Graças às pastilhas de freio do meu carro cheguei lá em poucos minutos freando o carro bem na porta da garagem do seu prédio. Entrei sem cumprimentar o porteiro e subi pelo elevador ansioso em encontrá-lo no apartamento sorrindo como somente ele fazia ao me olhar. Hesitei por alguns minutos em abrir a porta. Não havia qualquer barulho proveniente daquele lugar, acho que nem dos visinhos eu conseguia escutar nada.

Abri a porta e entrei de uma só vez, porque coragem eu não tinha em encarar a verdade ao pensar em tudo. Seu apartamento permanecia intacto, o copo usado no braço do sofá branco de couro, os filmes que ele adorava ver estavam desencapados na mesinha da sala... Hedwig, Antes do sol Nascer, antes do sol se por, todos estavam ali e provavelmente participaram de seu último momento naquele lugar. Que angústia! Confesso ter chamado seu nome duas vezes para ver se ele aparecia de algum quarto ou da cozinha com seu avental gozado que eu sempre o atormentava chamando-o de “mulherzinha”. Nada, apenas ecos de meus passos e o fundo da minha respiração.

Entrei no seu quarto e vi o edredom branco embolado na cama, como se ele tivesse passado a pouco por ali, seu cheiro ainda pairava nele. Lembrei dos nossos momentos juntos como amigos, bagunçado a cama com guerra de travesseiros, parecíamos duas crianças tolas apenas curtindo o momento...

Não acredito...

Sentei na cama e as lágrimas desceram incessantemente. Sem um grunhido de minha parte, apenas o ranger da cama, eu levantei e abri seu guarda roupas. Suas roupas estavam organizadas, dispostas em cores, como eu costumava fazer. Observei que havia uma caixa bem acessível, de madeira negra como o fechar dos olhos em uma noite sem lua. A abri e desmoronei ao ver suas fotos de infância, desde pequeno ele era lindo, nunca havia visto isto antes, ele na escola com a mãe, em uma praia junto de adolescentes, algumas fotos nossas da época em que nos conhecemos, há dez anos atrás... Consegui resistir, não usurpei nada daquela caixa de lembranças, sabia que não iriam me fazer bem, recoloquei-a no armário e sai em direção aos outros cômodos. Ainda com o coração na mão e mente lá no céu, que por sinal havia tomado meu amigo de mim...

Sem sentir, me vi na cozinha e ele lá na beira da pia secando os talheres do jantar que eu havia feito, sua comida predileta era Penne com qualquer condimento e anexo que viesse, poderia ser chuchu ou quiabo que ele engolia tudo com um rosto delicioso de satisfação.

Quase entrando em desespero e perdendo a sanidade mental naquele instante, sentei-me no sofá meio zonzo e me acomodei, tentando não deixar aquilo tudo ser vomitado, eu a “seta do f%#@*” e largar toda a minha vida, viver sem destino e sem qualquer contato com o resto do mundo.

Ao me acomodar no sofá, acho que apertei o controle do som e começou a tocar a m$@*¨a da música do OASIS – Stop Crying your Heart.O som estava alto demais, como ele sempre ouvia! Assustado e impressionado com tudo o que vi, chorei impiedosamente, de desespero, de tanto segurar na frente dos outros, de ter fervorosamente omitido a morte do Cara para o Husky e de quando eu o contei, ter feito a feição de indiferença e saído de perto de mim sem a menor consideração. Não estava creditando em nada que acontecera, não era possível, meu amigo, o único que me escutava, que vibrava por minhas vitórias e não as levava como disputa, quem me acolheu em quase todos os momentos ruins de minha vida, morto.

Antes de terminar a música e tudo isto acabar comigo de uma vez por todas, desliguei o som e corri para a porta soluçando. Que vergonha! Ao abrir a porta estavam lá sua irmã e seus quatro vizinhos aterrorizados, parece que iam arrombar a porta achando que eu iria me acabar lá dentro. Por um momento abaixei a cabeça, arrumei o meu cabelo que estava alvoroçado, enxuguei as lágrimas e voltei a minha forma de sempre, fingindo que estava tudo bem, como sempre.

- Eu acho que apertei algum botão errado que ligou o som e fez isto tudo. Desculpem.

Os vizinhos já me conheciam de outros verões, sabiam o quanto eu gostava do Cara e vieram todos me abraçar, não consegui conter algumas lágrimas que escaparam de vez. Mesmo assim mantive o ar gélido, fingido e esbocei um leve sorriso inchado naquele hall de entrada dos horrores na porta dos apartamentos deles. Sua irmã envolveu seu braço em meu ombro oposto e silenciosamente desceu de elevador comigo, fomos até o meu carro calados, ela, apenas entendendo que perdi alguma coisa que ninguém nunca mais me reporá e eu, percebendo que perdi para sempre o Fernando, O Cara que nunca mais terei em minha vida.

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012

O "Nosso" Lugar


Na segunda feira passada tive uma notícia que realmente me arrasou... Definitivamente não pude acreditar.

Derretido de emoções, devido a problemas “pouco passados”, e vendo a necessidade de contá-lo que estava certo, fui a casa do Cara. Queria informar-lhe que as flores da orquídea da minha casa acabaram de cair e que fatos estranhos surgiram logo após a última pétala encostar no chão.. Cheguei à porta de seu prédio e toquei o interfone a fim de convocá-lo a uma conversa amistosa, já que a última que tivemos, não fora nada convidativa e pouco exacerbada. Chamei-o pelo menos 12 vezes até que o porteiro desceu as escadas e veio falar comigo. Me reconheceu e demonstrou um rosto estranho, talvez por ter lembrado da vez que cheguei na porta do prédio desesperado, em plena chuva monstruosa que caíra na época, e com cara de mendigo abandonado, ensopado, pedira para entrar e ver meu amigo. Encostou-se no portão de entrada e permaneceu a me olhar. Perguntei a ele pelo Cara e logo ele me disse que ele já não morara ali e que seu apartamento estava a venda.

- Mas como estaria a venda? Ele amava aquele lugar, dizia que seus cômodos contavam tantas histórias que gostava de recordar. Como a vez que nos conhecemos e logo ele me apresentou sua casa, de como eu estava assustado, das noites de vinho e chapa quente e de como se vislumbrava ao me ver cozinhar...

Questionei o porteiro quanto a sua certeza e o mesmo apontou a placa de vende-se no seu andar. Ainda sim não acreditei em nada do que ele disse, imaginei a maior traquinagem do mundo e que no final iríamos rir deste desencontro.

Sem muito entender, liguei para casa de seus pais, que por sinal estava ocupado o tempo todo... Não poderia deixar esta inquietação, peguei meu carro e corri até a casa de seus pais para saber o que acontecera, onde ele estava.

Na porta, vi que as coisas não estavam dentro do normal, o jardim de sua casa não era o mesmo, a grama estava seca, mórbida e as flores que ali pairavam, simplesmente estavam murchas. Bati a campainha e fui logo recebido pela empregada que me olhou com a maior cara de pena possível. Guiou-me até a sala onde fui recebido pelo pai dele e sua irmã. Muito assustado eu perguntei pelo Cara, com um sorriso receoso e esperançoso para receber uma frase brincalhona. Obrigaram-me a sentar, mandaram a empregada buscar um copo com água e velozmente o tive em minhas mãos. Comecei a tremer, sabia que daquele momento não tiraria qualquer retorno positivo de sua família, já esperava o pior. Me desesperei.

Fui informado de que ele havia morrido há uma semana, enquanto retornara de uma viagem de carro proveniente do interior de Minas. Senti meu sangue descer todo para as pernas e por um minuto perdi o contato com o mundo, estava ali flutuando em plena sala de estar do meu amigo que agora era dado como morto, como se nunca tivesse existido.

- E agora? O que faria sem ele? Como continuaria minha vida? Mesmo sem conversarmos, ainda sim sentia sua presença, sabia que ele estava ali! Mas e agora? Um pó? Tudo se foi assim?

Logo questionei o porque de não ter sido informado antes, já que havia uma semana após o acontecido. O pai e a filha se olharam e não souberam informar. Calei-me por um longo período. O pai, com os olhos cheios d’água, me abraçou, levantou e subiu as escadas, sabia que não poderia controlar seu choro e não o queria demonstrar a mim, graças a figura de homem que deveria perpetuar ali naquela família. Sua irmã, com olhos de consolo e fervorosos de água, apenas me amparou.

Ela me disse que ele não sofreu, que havia morrido em pleno impacto com outro carro que vinha na contramão, que o funeral aconteceu as pressas e seu corpo havia sido cremado e jogado em seu lugar predileto, que por sinal ele me levou lá uma vez, bem no topo de um mirante particular, que ele nomeara “Nosso”. Não agüentei a pressão naquele momento, chorei muito, perdi o controle e quase o ar. Não era justo! Nada é justo!

Não sei se foi para me confortar ou para me deturpar ainda mais, mas ela me disse que antes dele viajar, o encontrou no computador dela, lendo o post que fiz para ele em meu blog, com lágrimas escorrendo pelo rosto, disse que estava criando coragem para voltar a falar comigo, que havia feito a maior burrada em sua vida e que abrir mão de mim por uma escolha idiota que fiz não era justo.

Não acreditei no que ouvi, em nada, para falar a verdade. Meu amigo, meu melhor amigo, agora estava morto e nunca mais o veria, seus olhos amadores, seu rosto aconchegante, seu abraço amistoso, suas mãos afagando meu cabelo, acalmando-me das escolhas equivocadas que me descontrolavam, simplesmente se tornaram pó e jogados em um lugar para simbolizar uma mera lembrança.

Jesus.

Tudo dói por dentro, mas não sai mais nada para fora. Sem me despedir, sai correndo, peguei meu carro e vim para casa. Não havia ninguém aqui, então, chorei o quanto podia, bebi grande parte das bebidas que continham álcool e fui dormir, não queria ver as próximas cenas desta m*&*#.

Meu Deus! Como isto pôde acontecer?! O Cara que tanto me ajudou! Que me amava de paixão, que mesmo sob diversas condições, me manteve sob suas asas, me protegendo contra qualquer um. Ele iria voltar a conversar comigo se estivesse vivo hoje! De verdade!

Ainda não acredito que esteja morto. Não mesmo. O Cara que me flertou no restaurante há anos atrás, que foi o único que me confortou no enterro do meu avô, que me levou a lugares que nunca irão me levar, que sabia o que eu pensava, que me ensinou a comer Gummy Bear assistindo a filmes de romance, estava reduzido a pó.

Ainda, deitando na cama antes de dormir de embriaguez, lembrei exatamente de como havia sido o dia em que ele me levou no lugar que intitulava “Nosso”. Foi quanto ainda estávamos tendo um relacionamento amoroso, ele pegou seu carro no sábado pela manhã e logo ouvi sua buzina de dentro do meu quarto. Levantei correndo e fui à porta. O Cara! Arrumei-me e pulei no banco do passageiro, ao seu lado, fomos a destino algum, pelo menos eu pensava. Mas no fim das contas paramos em uma cidadezinha daqui de Minas mesmo e curtimos todo o dia no centro da cidade. Percebi que ele havia comprando diversos quitutes e um pano. No fim da tarde, entramos no carro e fomos para um local cuja vista era estrondosa. Paralisei-me ao descer do carro de tão surpreso e impressionado pela vista que observara. Retirando o que havia comprado do porta malas, estendeu um sorriso vigoroso e chamou-me para sentar-se próximo ao desfiladeiro a seguir, encima da grama verde que cobria o local. Ele estendeu o pano no chão, abriu as guloseimas que havia comprado e me ofereceu tudo na boca. Enquanto isso, o lindo e único Sol, se desfazia através das montanhas, a coloração vermelha começara a tomar conta das nuvens e a brisa vinha em meu corpo agradavelmente. Foi o momento exato em que o admirei, quase deitado no pano, apoiado em seu braço direito, ele me flertou por um tempo e depois disse que me amaria para sempre, permaneceu em silêncio a me olhar. Desejei que tudo aquilo durasse para sempre...

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Extirpando Histórias


Ainda sim em meu recinto, quietinho nos braços do Querido Husky Siberiano, escondido de "grande parte" da população do planeta e das diversas assombrações, conseguem me achar e mensurar as hediondas realidades vividas por diversos incondecoráveis sobressalentes e expressivos desastrosos seres da Terra que jamais irei habitar novamente...

- Hiey! Feliz Ano Novo, Mister Thinker!

-Hum...

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Navegante

Um pássaro e um peixe podem se apaixonar, mas onde iriam se amar?
Acho que encontrei um belo par de nadadeiras para mergulhar...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Flutuantes


Quem entende este mundo melindroso, que de alguma forma influencia em nossas vidas e dissemina algumas idéias malucas que acabam colocando em risco a felizarda e maldita flecha do Cupido Redentor...

terça-feira, 25 de outubro de 2011

O Sono dos "Não Justos"



Ai, ai... Não sei se rio o se choro ou se me deixo magoar por determinados momentos de minha vida...

- Ih! Mister Thinker! La vem bomba...

Ontem estávamos na cama, prestes a dormir, balbuciando algumas frases condizentes com nosso cotidiano ocupacional, quando de repente escuto o seguinte:

“(...) Oh Amor! Eu sinto tanta falta dos nossos momentos de namorados. Lembra quando íamos para o Motel? E quando eu ficava em casa doido para lhe ver? Te dar aquele cheiro no pescoço? Você lembra? (...)”

-Ih Mister Thinker! Agora F#@$#@!

Creio que o mínimo que ele quis dizer era que eu não estava bom da forma que estou, ou queria ir ao motel, ou pelo menos estava interessado em sexo. Eu, sem muitos frisos pela língua, retruquei sutilmente informando que o prefiro hoje, o Husky casado, ou pelo menos quase casado. Que vive ao meu lado, que tem mais amor por mim que antes, acho, e que compartilha as coisas, “acho” também. O que vivemos no início foi algo bom devido ao “conhecer o estranho”, desvendar as condutas e partes dos nossos belos corpos, viver o desconhecido com o desconhecido. A curiosidade é um sentimento bom, animador, criador de expectativas que nos incentiva a desvendar o real. Por fim, acabado o sentimento, caso o amor não tenha amadurecido concomitantemente ao desconhecido, o relacionamento se dá por findado, já que nada mais os prende um ao outro.

Logo após este discurso ele refletiu sobre o assunto e confirmou a verdade perante os fatos. Dormi sem escutar os seus murmúrios e “lamejas”, estava chateado o suficiente para querer manter-me isolado nos próximos anos de qualquer pessoa que esboçasse o interesse em ter um relacionamento comigo.

Quando levantei, já era dia, o enegrecido dia de hoje devido ao horário de verão que me deixava interessado em sair mais cedo para ver o Sol nascente. Sai com o carro e, pensante, fui até o trabalho...

Ainda estou um pouco arrasado, fico imaginando o que ele tem em mente, pois, o que posso fazer de melhor, eu realmente faço, mas para que? Já que ele me conhece, não tem nada para me desvendar e sim controlar e se adaptar à determinados costumes. - Jesus! - Definitivamente, o que ele tem na cabeça? Se ele me prefere como antes, como namorado, já que não me conhecia bem, quem dirá os alunos de musculação da academia que ele dá aulas...

- Que viagem, Mister Thinker!

Pode realmente ser “uma viagem” minha, mas que no fundo tenho um leve razão e uma teoria da conspiração embutida no raciocínio, tenho sim Senhor! 

Agora, penso nas pessoas que vivem suas vidas solteiramente felizes, um cara por mês/ano, sem compromissos fixos e sem desaforos para levar durante seu leve e singelo sono que, até então, deveria ser dos justos.

- Indignado, Mister Thinker?

- Não, apenas vivenciei um leve choque ao me deparar com o conceito de homem... São todos iguais...