
quinta-feira, 30 de abril de 2009
O Madonna

terça-feira, 21 de abril de 2009
Folhas e Gravetos Cobrindo Minha Grama

Estava prestes a dormir, mas uma memória se inquietava em minha cabeça, uma memória de “não sei o que”, algo me incomodava, revirei na cama de um lado a outro, comecei a retirar as folhas e gravetos do gramado coberto pelo outono, era coisa de mais de cinco anos, fiz um monte gigante ao redor, mas achei, ali estava! Fresco em minha memória, como se tivesse acontecido ontem.
Tive um amigo há algum tempo atrás que hoje me bateu uma saudade enorme, na verdade eu o vi na rua, passou por mim como se tivesse passado do lado de um mendigo (insignificantemente), confesso que sinto um aperto no peito quando me lembro dele! Seu codinome era Brit, nos conhecemos através do Marcelino troca-Tapa, um cara super legal, que adorava sair, como eu na época. Todas as danceterias que abriam, com exceção da Josephine, nós íamos: Puska, Lounge 70’s, Scape (tenho todos os Flys guardados até hoje), dançávamos até esgotar todas as energias, bebíamos, conversávamos, enfim, fazíamos tudo que amigos faziam. Isso durou um ano, após este, ele sumiu, simplesmente desapareceu, não me ligava, nem atendia meus telefonemas. Descobri que ele havia terminado o segundo grau e com isso seu estágio também, me falaram que ele havia passado a ser um zero a esquerda, que não tinha mais dinheiro para sair e por isso ninguém fazia muita questão de procurá-lo.
Resolvi insistir em falar com ele até que as coisas começaram a caminhar, começamos a encontrar mais, dormíamos um na casa do outro nos fins de semana e trocávamos segredos profundos e hediondos de nossas vidas. Os finais de semana em que minha mãe viajava era sempre motivo de festa, aprontávamos todas em casa, se não era bebendo, era dançando na webcam com nossos amigos, escutando música, encontrando caras, enfim, o que podíamos fazer, fazíamos. Ao contrário do que pensam até hoje, nunca tivemos nenhum tipo de relação ou atração física um pelo outro, trocávamos de roupa um do lado do outro, mas como irmãos, isso! Esse era meu sentimento por ele e tenho certeza de que ele sentia o mesmo.
Um dia destes ele conheceu um rapaz, Sr. Deprimido, o cara era deprimido de nascença! Sua vida era uma tragédia, seu pai morreu em um naufrágio em sua infância, não aceitava totalmente sua homossexualidade e adorava auto-afirmações. Tudo dele era deprimente, simplesmente o cara vivia com aquele sentimento ruim e contagiava todos ao seu redor e um dos contaminados foi o Brit, que simplesmente murchou, nunca mais foi a mesma pessoa.
O Sr. Deprimido conseguiu fazer intrigas entre nós, e por fim paramos de conversar durante um longo tempo. Quando a poeira abaixou, encontrei meu amigo ferido, sangrando por dentro, anoréxico, deprimido, suicida, simplesmente não era mais ele, não tinha o mesmo rosto, o mesmo olhar, as mesmas conversas. Me contou que o Sr. Deprimido havia o traído com um rapaz que inclusive já havia dado encima do Marcelino Troca-Tapa enquanto namorávamos, o Coruja.
Não era o mesmo, simplesmente eu desconhecia meu irmão, e a cada palavra que ele soltava eu me decepcionada mais. Ele tinha idéias suicidas, queria levar toda família junta, toda vez que ele tocava neste assunto comigo eu me sentia mais pesado, era a responsabilidade que caia sobre mim se algum dia acontecesse alguma coisa naquela casa. Uma amiga dele havia tentado há pouco depois de ele começar com estas idéias, mas seus pais a acharam na cama dopada com diversos comprimidos e a internaram por meses em uma clínica de reabilitação psiquiátrica. Quando ela saiu, eles começaram a se falar mais e ele por fim parecia ser incentivando por ela. Lastimável!
Por algum tempo eu consegui amenizar e reverter este pensamento dele, mas quando o assunto passou a ser contínuo tomar força e proporção superior à minha, resolvi recriminá-lo e reagir durante esses acessos de loucura. Até que brigamos, tudo que tínhamos construído, apoiando um ao outro se desabou em uma fração de segundos e cada um foi para um lado. Ele, ignorando todo o acontecido e iniciando uma nova vida longe da família, perto da caixa de pandora e acompanhado pela desesperança.
Hoje sei que nunca mais seremos o que um dia fomos, nem chegaríamos perto disto, mas fico triste por termos passado por cima de muitas coisas juntos, construído algo grande, para de repente, o vento mais manso simplesmente derrubar tudo, e nós, enfraquecidos, não conseguirmos erguer-lo novamente.
segunda-feira, 23 de março de 2009
Primeiro Encontro, Primeiro Beijo

Com o passar do tempo, você foi acalmando minha inquietação interna com sua conversa, seu jeito doce e honesto de se comunicar, sua espontaneidade. Por longos 30, 40 ou quem sabe 50 minutos, busquei coragem pra dizer o que havia sentido desde a primeira vez que coloquei os olhos em você: Uma imensa vontade de te beijar.
Longo suspiro... uma pequena pausa na conversa. Maldito e corriqueiro silêncio, que causa grande constrangimento quando ocorre entre pessoas com pouca intimidade. Contudo, aquele silêncio era o prólogo de um momento mágico que estaria por acontecer. Um turbilhão de sentimentos tomava conta de mim. Ansiedade, medo, desejo. Isso tudo resultaria num esperado, longo e doce beijo. Talvez o melhor beijo da minha vida. Bem, não sei ao certo, já que tivemos tantos depois dele. Mas cada um tem seu encanto, e um é sempre diferente do próximo.
Esse foi a minha versão do nosso primeiro encontro e primeiro beijo. Te amo!”
domingo, 15 de março de 2009
Desencalhando

Conheci um cara, pensei antes de escrever isso, mas não sei qual apelido o darei ainda, juro que ainda não sei. Bom, o conheci de uma forma muito inusitada, talvez, sexta-feira antes do carnaval, resolvi me embebedar na casa de minha mãe que viajara e me largara ali sozinho. Bebi bastante a ponto de não me lembrar de como havia ido dormir, simplesmente, no outro dia amanheci jogado dentro do quarto. Naquele dia à tarde resolvi entrar na internet de novo para reconstituir a noite anterior e me deparei com vários desconhecidos no meu programa de mensagens instantâneas (eu havia entrado no bate papo, conversado com deus e o mundo, bebido duas garrafas de vinho, comi pizza, enfim, o computador estava daquele jeito). Conversei com todos, mas o único que me chamou a atenção foi o Rapazinho (isso! Achei um pseudônimo por ele ser mais novo). Marcamos de nos encontrar, confesso que ele realmente é bonito, tem boa conversa, é carinhoso, enfim, gostei dele e acabamos nos beijando, nada além.
Ele realmente me cativou, fez com que eu piamente gostasse dele, até que na semana seguinte ao primeiro encontro ele me pediu em namoro. Eu, sem muita reação balancei a cabeça e assim, desde então, desencalhei !!! Bati mais uma meta proposta no final do ano passado e satisfiz uma vontade que me faltava o ar ultimamente.
segunda-feira, 2 de março de 2009
Amor Contemporâneo

Enquanto ia embora pensei muito, achava que o amor contemporâneo talvez fosse um pouco mais cortês, sei lá, talvez um pouco mais humanizado, mas vejo o contrário, parece que as pessoas tendem a tratar umas às outras com quaisquer, sem diferença alguma.
Enfim, no final das contas descobri o que ele queria dizer com o tal do “Champa no peito” tradução: “Querida, pode beber este precioso líquido, é muito bom! Confie em mim, coragem! Beba”. De alguma forma ela também entendeu o que ele disse, talvez, por estar condicionada a lidar com esse tipo de cara, ela simplesmente já entendia a linguagem de outros episódios anteriores, e acabou “champando tudo no peito” por insistência.
domingo, 15 de fevereiro de 2009
Crônicas do Coelhinho: A Aliança
(Fazendo um parêntese, eu achei uma coisa interessante ao procurar o significado da aliança: O anel, aliança, surgiu entre os gregos e os romanos, vindo de um costume hindu de usar um anel para simbolizar o casamento. Os romanos acreditavam que no quarto dedo da mão esquerda passava uma veia que estava diretamente ligada ao coração, costume carregado culturalmente até os dias de hoje. No início a aliança era tida como um certificado de propriedade da noiva, ou de compra da noiva, indicando que a mesma não estava mais apta a outros pretendentes. A partir do século IX a igreja cristã adotou a aliança como um símbolo de união e fidelidade entre casais cristãos).
Mas enfim, recebi a aliança com um ar absurdo de deboche, disparate. Não fui falso e ele percebeu muito bem minha conduta, assim, tomando a aliança da minha mão antes que eu pudesse falar “Abacate”, e falando que não iria mais usá-la, já que eu não merecia. Então pensei: “Eu, eu mesmo Mister Thinker, não a mereço? Ou será ele?”.
sexta-feira, 13 de fevereiro de 2009
Marcelino Troca-Tapa: Uma Introdução
Desde o último post em que falei do Marcelino Troca-Tapa, venho constantemente pensando nele, assim, resolvi TENTAR relatar nossa história: Primeiramente, Marcelino Troca-Tapa foi o codinome que o dei por ele ser igual aquele desenho dos dois coelhinhos, um azul e a outra rosa (Lilica), tinha o Marcelino que era o menino rico que adorava gritar e discutir, uma baixaria vergonhosa. Não necessariamente ele gostava disso na minha época, mas depois que terminou comigo adquiriu este costume.
Nos conhecemos através de amigos em comum, amigos que tentaram nos unir e separar através da chamada, na língua GLS, “máfia”. No dia em que o vi, soube que seria o homem da minha vida (até hoje acho isso), não ficamos naquele momento, apenas nos encaramos um ao outro fervorosamente e marcamos um encontro em um evento de livros que anualmente acontece em Belo Horizonte. Foi num sábado à tarde, tempo parcialmente nublado, quando o vi caminhando em minha direção, nos cumprimentamos e nos falamos durante muito tempo, ele me contou sobre sua família, sua vida e eu apenas escutei, pois, ainda não achava que poderia compartilhar tudo, diferente dele. Neste dia ficamos, não me lembro o local, mas ficamos.
Na terça-feira seguinte, me pediu para namorar, ele, na mesa do restaurante em que estávamos, levantou, retirou uma caixinha do bolso, colocou-a na mesa e sentou-se novamente perguntando se eu queria o namorar - Juro que a primeira coisa que pensei foi “O que eu faço com essa aliança?”. Então, ele colocou-a no meu dedo e a partir daquele momento viveríamos juntos dois anos e sete meses absolutamente catastróficos, alguns momentos felizes e que ecoariam por um longo período na minha vida.
No primeiro mês em que ficamos juntos, seus pais descobriram de si, graças a uma carta que meu Amigo de Verão enviou ao Marcelino, dizendo para ele cuidar bem de mim, que não arruinasse minha vida e blá blá blá... Coisas de amigos, entendem? Assim, nosso relacionamento ficou muito restrito, por algum tempo ele não pôde sair de casa (medida tomada pelos seus pais achando que iria conte-lo da “saída do armário”). Mas de alguma forma conseguíamos burlar a segurança de seus pais e acabávamos em algum lugar, descontando o tempo perdido. Nossa primeira vez juntos, digo sexo, foi com quatro meses de namoro, éramos virgens em ambas modalidades (penetrador/penetrado) e tudo aconteceu em uma festa, na mansão do Gió, onde acabei esbarrando com o Professor Universitário, a primeira vez. Não foi a nossa melhor performance, pois, ambos estávamos nervosos, mas como estava com o cara que eu amava, o sexo não fazia diferença, apenas sua presença naquele momento bastava.