domingo, 12 de fevereiro de 2023

Buscando Por Adaptação


Envelhecer dá medo! Não posso deixar de começar este post com esta frase – “Post”... Se é que é chamado disto hoje em dia...

Não tenho medo de morrer, mas o envelhecer pode ser bem complicado! Vamos aos principais pontos:

 

Primeiro: infelizmente o meio digital está aí para fazer as grotescas comparações de como você era e como você está e isto, além de repugnante, é desrespeitoso! Zombam das pessoas sem o menor pudor e por algo que não podem fazer muito (complexa gravidade, para não afrontá-la)... Hoje é possível escutar os sons de quem já esteve nesta terra e não está mais, aí o negócio fica mais estranho. Hoje isto é normal, mas nasci em um tempo em que não víamos isto com tanta frequência, pois, a globalização ainda não havia atingido o atual patamar.

 

Segundo: a geração a seguir a minha se acha mais esperta e somos subestimados e questionados frente ao que falamos, mesmo quando temos certeza da verdade, baseada em dados e fatos... Além disto, são realmente conflitantes, prepotentes e rasos, triviais, de relacionamento supérfluo e a obsolescência das coisas, na visão deles, é algo bem mais breve que para minha geração...

 

Terceiro: a velhice traz a inseguranças sim! Não adianta ter dinheiro, fama e estabilidade. Fato é que você realmente envelhece e nunca terá a mesma aparência que antes. Relacionamentos entre pessoas idosas ou mais velhas acontecem realmente? Hoje vemos tanta gente mais velha com meninos/meninas novas, com discrepância de mais de 20 anos entre suas datas de nascimento. Interesse ou amor real?

 

Quarto: quanto mais velho vai ficando, mais pessoas ao seu redor, as quais você conhecia, morrem! Meu deus! Como isso é ruim! Não tenho tantos conhecidos próximos que faleceram, mas todos os dias que eu ligo a TV, que não são muitos, vejo a notícia de falecimento um ícone da minha geração ou que influenciou minha geração. Ou seja, vejo o declinar de uma geração e a ascensão de outra, uma vez que nossas referências começam a serem perdidas e a ascensão da trivialidade, mentida, fingimento e de valores completamente deturpados se ascende.

 

Não estou em desespero, não estou morrendo, não tenho 40 anos ainda (bem próximo), mas angustiado em entender como será este declínio de vida, já que estou bem próximo ao ápice de vida e, a seguir, em declínio.

 

Confesso que tenho ficado mais próximo ao álcool (risos), as leituras estão cada vez mais veementes, a busca por entender este mundo tecnológico está acirrada e frustrada, o relacional humano está incompreensível (na verdade compreensível, mas inaceitável) ... Não sendo meu perfil, mas sinto a necessidade de parar e não mais compreender este monte de acontecimentos, pois, chega um momento em que transcendemos o nosso estado natural e entramos em um sofrimento que, se não estancado, poderá levar a consequências maiores.

 

- Hey Mister Thinker! Vai um "tarja preta” ai?

 

- Não. Conflituoso sempre fui, faz parte do meu cerne. Querer me cegar é que é um grande problema, mas não acho que resolverá com isso.


Closing Times

sexta-feira, 6 de janeiro de 2023

Um Breve Balanço Sobre a Vida Contemporânea

734 Sad Man Sitting In Sunset Stock Photos, Pictures & Royalty-Free Images  - iStock


Com a cabeça vazia, sem muito o que pensar na estrada, em plena chuva torrencial, dirigindo, sem pensar nos riscos, mas nos vividos e rimos da vida, lembrei desta minha “âncora” chamada Blog. Não estou velho, mas não sou mais jovem como em 2008, quando escrevi meu primeiro post (se é que chamam desta forma hoje...). Amadureci, cresci e vivo momentos, retratos, filmes da vida como ela e, às vezes, como ela deve ser. 

Profissionalmente adquiri sete títulos de especialização, um mestrado e um doutorado. Trabalhei desde empresas pé rapadas na beira da boca da favela, até uma das mais conceituadas do Brasil. Eduquei alunos como docente, influenciei pessoas como ser humano e acabei por sucumbir de um sonho que acordei de forma abrupta, mediante a maldade humana (Nada fora do normal na atualidade), mas que me impressiona a cada segundo, onde vemos que as pessoas são capazes de absolutamente tudo, unicamente pelos seus interesses... Mas como um ser humano evoluído e próspero, o cair não fez de mim um paraplégico. Assim, levantei, me limpei e dei um grande salto que nunca imaginei alcançar tão alto como hoje, como empresário.

 

- Nossa Mister Thinker! Há quase dois anos sem vir aqui e, quando aparece, traz estas notícias?!

 

Desde quando este blog foi sobre boas notícias? Sempre foi um ensejo para relatar inquietações e problemas que, às vezes não conseguia falar muito com meus amigos, até mesmo para não parecer chato, ou seja: ser como às vezes nós na vida devemos ser, pessoas sem lamúria excessiva, pouco saudosistas, bochechas rosadas, levemente emagrecidas as mulheres e homens esportivamente aparentes e malhados, sem grandes barrigas e o peitoral sempre firme e empinado anteriormente para impor a postura de seu gênero..... (risos). Hoje isto “caiu por terra”, não é verdade? Pena que, muitas vezes, ainda temos a percepção da mesmice de que vivemos a décadas atrás, diferentes da sofrida, cansativa, presunçosa e presente década com sua estranha geração.

 

Em meio a esta louca década, vivi experiências que nunca havia imaginado, alcancei objetivos nunca planejados, conheci boa parte da Europa, adquiri minha independência financeira, aprendi a falar russo, vi colegas morrerem, surtarem e alguns ficarem estagnados na inércia deste grande caos organizado meticulosamente para sacanear os “sãos” de mente. Acreditam que o Marcelino Troca Tapa, surtou, ficou internado em um Hospital Psiquiátrico e hoje, depois de anos, está em casa, com um câncer agressivo, alucinado e com a aparência completamente diferente de quando o conheci? (A gravidade é cruel e pessoas conseguem ser pior ainda.... Eu quem sei o que ele passou estes anos, depois de seu relato a mim). Acreditam que o Husky Siberiano hoje é pastor e está pregando hipocritamente, em uma Igreja fervorosa e rígida, sobre sua opinião contrária a homossexualidade? “Mal eles sabem que ele continua o mesmo”, dizem os ventos sinceros que refrescam nossa cabeça e atiçam nossas memórias para lembrarem da vida já vivida, uma vez que eles são eternos e viajam ao redor da terra, e na mesmice voltam e acabam por nos fazer captar o que já viram e o que vivemos (penso em um círculo vicioso).

 

- Mister Thinker, como foi o COVID-19? Quem diria que esta praga se alastraria pelo mundo, hein?

 

Aconteceu e ainda acontece, mesmo que o estado de emergência em saúde pública tenha sido suspenso, se não me falhe a memória, em abril de 2022... A saudade de uma vida livre é o ápice que tenho cravado em minha memória, mesmo que tudo tenha se atenuado, ainda sim, toda esta situação nos arrastou, nos obrigou a seguir um caminho o qual, em teoria, não estávamos preparados, muitas coisas fecharam, serviços sucumbiram e a sociedade vai levar o mártir pelo resto da vida. Amores foram perdidos, familiares afastados, rotinas quebradas, desespero instalado, mas, entre mortos e feridos, sim, vários morreram e vamos sentir falta (saudosismo patológico?)!

 

Acho que a vida não é mais tão leve como era não. Volto ao meu momento mais alegre da vida, o final da adolescência e início da jovialidade adulta. Tudo tão menos complicado, a fala era algo natural que saía de sua boca e, muitas vezes, era levada pelo vento e não acrescida de opiniões, muitas vezes perniciosas. A globalização estava em um ritmo ainda “lento”, se comparado aos dias de hoje. Não sabíamos imediatamente o que ocorria no mundo e nossas mentes ainda estavam condicionadas a pensar de uma forma menos pesada. Hoje se você fala algo sem pensar, é apedrejado, “cancelado” (é assim mesmo que se diz?) repudiado (Claro, existem pessoas sim que falam asneiras, mas tem algumas que são extremamente doloridas e não faz sentido as ênfases e “dolorimentos”). Antes era um herói, em questão de 10 minutos vira o monstro.... Falando neste assunto, não vou entrar aqui no mérito dos aplicativos de vídeo que deixam a cabeça indolente e trouxeram atitudes humanas grotescas e que subestimam a capacidade do homo sapiens. Será que para ficar milionário terei que fazer as “dancinhas” para, quem sabe, “viralizar”? Meu Deus.... a inteligência está sendo substituída por atos obtusos, pois, o indivíduo está com tanta preguiça de pensar que o “rir” vale mais que ter a evolução científica...

 

Estes fatos desanimam quem reflete sobre a existência humana. Lembro que antigamente morria de medo de morrer, o mundo ser atingido por meteoros, ser invadido por seres extraterrestes ou até mesmo Deus irromper a terra por entre as nuvens, tocar as trombetas que anunciariam os últimos dias. Deus sabe o quanto eu temia assistir o programa “Fantástico” aos domingos receando notícias ruins, quem sabe catastróficas... Hoje isto mudou, de tanta barbárie, intolerância, perda de valores, dentre outros, quase nada me abala. Acho que se o fim do mundo fosse amanhã, com direito ao Doomsday, onde abriria as portas do céu e inferno, não me surpreenderia. Não seria um alívio, mas também não seria algo medonho em quem eu recorreria até o último fio de esperança para sobrevivência...

 

- Muita sinceridade, Mister Thinker? Seco e chato, mas sincero...Achei que viria aqui e lamentaria mais um relacionamento ou que contaria uma série perniciosa que poderia inspirar um seriado safado que seria assistido por milhões de pessoas.

 

Desde para a terra, a vida não é assim....Venho trazer as minhas verdades, como um indivíduo a ser continuamente preenchido por ladrilhos (mosaico), me moldando de acordo com o que tenho por dentro (idiossincrasia) e o que me convém por fora. Realidade seja dita, a vida pode ser classificada como boa, mas ainda sinto que o crescer e amadurecer dói e, as vezes, nos deixa sem palavras, ao lembrarmos de momentos tão menos responsáveis e inconsequente que vivemos e que hoje, não teríamos coragem de repetir, acredito que uma boa parcela dos adultos em sã consciência...


Angels or Devils

quinta-feira, 5 de agosto de 2021

Seguindo o Fluxo da Vida

O que me faz voltar aqui hoje? Poderia fazer um story no Instagram, Facebook, no ridículo TikTok e outras mídias sociais adjacentes...

Mas não, o formal e previsível ser humano decide voltar aqui e por aqui continuar a verborragia infinita, mas hoje com um olhar diferente, acho. Passaram-se alguns anos desde a minha última visita. De repente, ontem, em um momento saudoso de minha vida resolvi ver o que tinha aqui ainda, o que restava de meu passado, muitas vezes nem mais lembrado.

Restou o resto, o que um dia me preencheu e que me construiu como pessoa, peças de um mosaico, fragmentos que tornaram-se caráter, gostos e decisões.

Várias de meus personagens aqui mencionados dissiparam-se de minha vida a ponto de não lembrar de quase nenhum, mesmo em um momento em que a vida me faz lembrar das escolhas que fiz...

Sabe, a vida adulta me faz fortalecer a necessidade de andar para frente e olhar menos para trás, porque o tempo perdido martirizando coisas que não deram certo me faz perder o resto do tempo de vida que tenho. Não que eu esteja com uma doença terminal e comece a seguir aquele praxe de valorizar a vida e viver mais pequenos momentos, mas sei que daqui a alguns anos começo a declinar, a descer a rampa da vida, seja para o inferno ou não.... (risos)

Então, de que vale a reflexão, saudosismo e arrependimento de não ter feito algo ou refletir o motivo pelo qual aquilo deu errado? Acho sim que devemos ter este pensamento, mas em uma intensidade bem menor, diferente da que eu tinha. Perdi tempo, gastei sentimento, envelheci, deixei de aproveitar momentos, perdi pessoas e várias coisas.

Tenho buscado olhar adiante, vivendo sim cada momento, cada cena com o devido valor. SIM! Tenho minhas dores do passado, somos feitos de amor e dor também! Tenho saudade de histórias que vivi, mas hoje vejo que elas serão apenas lembranças e que não irão retornar com a mesma sensação. Estamos todos mudados, sentimentos abalados, outros objetivos e caminhos de vida. Valeu a pena sim cada encontro com cada uma das pessoas que passaram por minha vida, mesmo que tenha sido péssimo, mas valeu. Agora, de cabeça erguida, polida, sincera e levemente grisalha, sigo adiante sem tempo a perder.

This is My Lie

terça-feira, 13 de novembro de 2018

Um Grande Balde D'água



Não adianta tentar esquecer o que não pode ser esquecido, está cravado em mim a vontade de ser saudosista! Não adianta tentar fazer eu esquecer dos tempos, cada um em sua camada e espessura peculiar, singelo como um leve sopro no ouvido ou um furacão que leva as roupas do seu varal para um estranho que vai encontra-la a quilômetros de distância.

Este saudosismo parece um botão acionado pelos meus sentidos, que imediatamente remetem a imagens e sentimentos que me dão gosto de ter vivido os momentos que vivi na vida! Não que eu esteja morrendo e refletindo sobre o bom da vida! Nunca! Embora nascer seja sinônimo de morrer (pelo menos para mim), estou bem! O problema é a saudade, e não adianta, ela aparece do nada, e como um pomposo lutador de MMA, acerta bem na sua cara e te deixa estarrecido no chão, tentando se recuperar daquele golpe que, não necessariamente, foi justo. É algo que existe apenas como sentimento e não deve ser tida como esperança, pois a realidade vivida nunca mais voltará! Aquela sensação de liberdade, aquele sentimento de poder e a irresponsabilidade a flor da pele, dificilmente retornarão. Os momentos de um colo amigo, de segurança, de tranquilidade naquelas grandes épocas gostosas da vida, não serão os mesmos. Trata-se, na verdade, de um grande balde d'água generosamente gelado, que arrepia a pele e descola a alma do corpo por uma fração de segundos...

Acho que isto se trata do que eu e a Lesada.com conversamos alguns meses atrás. Na adolescência e jovem adulto, vivemos intensamente, com muitas novidades em um curto espaço de tempo. Será que eu estou sentindo falta disto? Algo mais espontâneo e frequentemente modificado? Novidades cansativamente contínuas e uma vida muito louca de noitadas regadas a bebida e muita risada?

Eis a questão, acredito eu, que será resolvida na crise dos 40 anos...  


sábado, 3 de março de 2018

O Melhor dos Desabafos



Olha, saudosismo é, definitivamente, um de meus sobrenomes, além de outros bem outsiders e medonhos quanto possíveis.

Bom, depois de mais uma temporada fora, não pude deixar de aqui “ciscar” e descobrir/relembrar o que havia escrito há um ano atrás. Realmente, essa música “Jack” remexe com os meus mais hediondos pensamentos sobre o amor, principalmente regados por um bom Vinho Rose Pamplemousse e aquela vontade de escrever.

Confesso ter amado francamente o dia em que eu fui morar com o Husky Siberiano, mesmo que após, tenha acontecido toda aquela “Big Fat Shit”, foi bom sim! Não só pelo fato da vivência momentânea em si, mas pela grande experiência que tive, além de morar fora da casa de meus pais, foi a oportunidade que tive para me relacionar integralmente!

A-D-O-R-E-I o dia em que reconheci o Jack como um dos possíveis homens da minha vida, um cara muito simpático e agradável! - Lembra da viagem para Ouro Preto? Meu Deus! Que momento memorável acordar do lado dele, dois “pentelhos” perdidos em uma cidade histórica, sem grandes histórias, apenas unidos pelo sentimento em comum que, não muito adiante, acabaria esvaecendo. Pena que foi pela distância que tudo desabou, quer dizer, além da iniciação sexual dele e a necessidade de muitos, mas muitos homens...

O melhor presente que tive foi o Fernando, um rosto magnífico, um toque sedoso, uma conversa fabulosa, presença memorável e um amor incondicional por mim que eu tinha medo de lidar! Morria de medo de apaixonar e perder o homem da minha vida, o amor que um dia morreria em um acidente e nunca mais viria. Amei enquanto pude e como pude, hoje o que resta são lembranças que ainda anseio reviver...

Marcelinho TrocaTapa! Meu deus! Que delicia as nossas saídas, nossas risadas que mais pareciam de crianças! Achava o máximo ser o namorado dele, na época, um menino ingênuo, mas ambicioso e dominador que adorava o dinheiro advindo da mais custosa forma (Pena que isso mudou hoje e se tornou ostentação em seu Facebook)! Foi o meu maior exemplo de vida! Hoje sou grato por ter me espelhado nele e ter adquirido tudo que tenho.

Coelhinho! Embora eu nunca tivesse sido viciado em drogas ilícitas, adorava o cheiro do quarto dele, era um odor forte de maconha emaranhada em sua colcha que me fazia sentir em casa, era simplesmente a melhor lembrança que tinha em seus braços! Aprendi demais com ele! A ignorância que pairava sobre mim trouxe a lucidez a partir do dia em que te conheci, pena que ele não soube controlar seu membro entre as pernas, mantendo-o exclusivo a mim...

Isto é Resiliência! Não acho que nada tenha me feito mal a ponto de martirizar o resto da minha vida! Hoje vejo como experiências que geram um sentimento grotescamente saudosista e que me fazem querer reviver, mas não mais para sentir aquela dor, mas pelo prazer dos bons momentos.

Sim! Hoje tenho excelentes momentos com meu namorado, mas sabe quando você tem aquele sentimento gostoso quando escuta uma musica e vem um friozinho no estomago por lembrar de determinadas situações? Exatamente isto! Foi gostoso o começo e parte do meio. O resto que foi uma grande furada, não mais tem algo a ver com meu contexto, passou...


Obs.: E mais uma grande saudade? Sim, meus antigos amigos, Jack, Lesada e a Syl assistindo  a um grande espetáculo solar, o Crepúsculo ao som de Adriana Calcanhoto e anseios sobre o fim. Jesus! Poderia dar algo que estimo por este momento, sabe porque? Era uma amizade sincera, onde não havia maldade, apenas todos quatro vendo mais um dia indo embora e mais um momento de nossas vidas se acabando. Um sentimento incomensurável que sentirei falta pelo resto da minha vida...

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2017

As Melhores Estimas a Ele


Hoje, acabada a aula que eu havia lecionado na Faculdade, no caminho para casa, não sei o que me ocorreu, mas me veio um “estalo” na cabeça, um “frio” na barriga e a primeira coisa que veio em minha mente foi a música “Jack” , sim, esta que deve estar tocando aqui agora.

Nossa! Mas quantas lembranças! Liguei o Spotify do celular, conectei brevemente ao rádio do meu carro e quando o som começou a tocar, fui forte, resisti ao choro, um choro de saudade do Fotógrafo, do momento em que nos conhecemos e a vida naquela época. Tudo muito mais fácil, éramos muito infantis, eu com sentimento tão puro e besta, fora a ingenuidade de buscar por um amor verdadeiro e etc...

Sabe que a letra dessa música lembra mesmo nosso relacionamento? Ele apareceu do nada, foi rápido ao me conquistar, permaneceu por pouco tempo em minha vida e nos demos um “tiro” no meio do caminho, “matando” nosso relacionamento. Mas ele me fez sentir algo que até hoje marca muito, que me faz falta: a simplicidade. Ele era um cara interiorano, havia acabado de descobrir sua sexualidade e escondia isto de todos de sua pequena cidade, quando vinha para a capital me encontrar, a conversa era outra. Com um rosto de menino, sotaque mineiro carregado, simples e olhar sincero (pelo menos transpôs isto), ele me conquistou de primeira. A cada encontro eu ficava mais apaixonado, queria viver ao lado dele para sempre e o amor - Ou apaixonite, não é? - era incondicional, ficava “ceguinho”.

Para se ter uma ideia, uma vez ele veio aqui na capital e saímos para uma danceteria hetero e beijamos na frente de todos, aquele "beijasso" de horas a se admirar no meio da pista, na época, a diversidade sexual estava não muito popular e nem muito aceita pela sociedade de modo geral, não era comum! Aí, imaginem o que todos do lugar fizeram???? Bom, a verdade é que não me importava o que pensavam ou falavam, gostava tanto dele que era capaz de fazer muita coisa que hoje penso muito antes de fazer.

Confesso que quando olhava para ele, lembrava de um filme que assisti em 2008 chamado Novemberkind, um dos personagens era a cara dele, era um rapaz bem claro, com olhos castanhos escuros, cabelos rentes ao couro cabeludo, uma boca voluptuosa e vermelha sangue e um olhar tão impressionante que dava para ficar apreciando-o durante horas. Digo, um olhar que transpunha a mim o sentimento melhor que ele tinha.

- Nossa, Mister Thinker.... Mas você está encalhado até hoje e por isso pensa no Fotógrafo?

Na verdade não, fazem quase quatro anos que me relaciono com um cara que me completa como um adulto, quase nunca discutimos (4 vezes em quase quatro anos), confiamos um no outro de “olhos fechados”, o vejo como o mais bonito, inteligente, amoroso, companheiro, etc. Porém, os sentimentos são diferentes, este é um amor adulto, algo composto por limites, racionalidade e nossos contextos sociais (dinheiro, família, nome a zelar, etc...). Não dá mais para sair beijando na rua, andar de mão dada, fora as cicatrizes que adquirimos com o tempo e fazem a gente perder grande parte da ingenuidade, além disso nosso pensamento, com a idade, se torna sagaz, frio e calculista, além de pretensioso e, às vezes, preguiçoso. O sentimento que tinha pelo Fotógrafo era algo mais desenfreado e muito ingênuo, sabe? A saudade era porque eu era mais livre e fazia, falava o que queria, não me importava com luxo, nem lugares requintados para se ir, sabia escrever e transpor minha essência, mesmo com erros ortográficos (Não posso ignorar isto... Mas haviam erros porque nunca gostei de revisar texto meus, mesmo minha dissertação de mestrado eu não fiz isso, morria de preguiça... rs).

Há quase quatro anos atrás o vi novamente pelo mundo afora, já não mais inocente, estava com o olhar diferente, condutas opostas ao que conhecia, percebi que as galinhas já haviam provado da sua carne. Entristecido depois de constatar tudo isso e internamente abalado, conversamos um pouco e logo nos despedimos. Era o fim do Fotógrafo para mim, quem eu achava que teria os resquícios do jovem que me fez ir em direção ao caminho para a Lua, simplesmente começara a esmaecer, a se tornar um desconhecido.

Embora estas constatações, ao menos o meu sentimento por ele ainda perdura, as lembranças de nós dois andando pela Lagoa numa tarde na cidade, o despertar com ele ao meu lado, os diálogos agradáveis que tínhamos durante horas... Foi muito pouco tempo, mas tudo muito denso, cheio de detalhes marcantes que me fazem hoje ter a vontade de abraça-lo saudosamente e dizer ao pé do seu ouvido “Quanto tempo eu não te via, Jack! Estimo o melhor a você”.


PS: Obrigado pelos comentários do post anterior, foram de grande valia e me fizeram voltar a pensar em meu blog que completa quase uma década.

terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Por Algumas Vezes


Que engraçado.... Por algumas vezes, apenas, tenho passado por aqui, mas a nostalgia prevalece a cada instante... Acho que nos últimos momentos que regularmente visitei e postei relatos aqui, eram os que eu mais queria esquecer, se tornando este local o túmulo das minhas lamentações. As quais, em qualquer outro dia normal, nem sequer são lembradas, pelo menos não a maioria...

Obviamente que quando vejo um belo crepúsculo, aquele comovente emaranhado de cores fortes que assolam o céu e torna a tarde um espetáculo único a cada dia, não posso deixar de sentir aquele friozinho na barriga, ao lembrar do grande Amigo que aqui me largou e foi buscar uma nova vida em outro mundo (O Cara)...

É Claro que quando reencontrei o meu ex, Marcelino Troca Tapa, lembrei de nossas vidas juntos ao ser surpreendido com um pedido desenfreado de desculpas por ele ter feito desordens e injustiças comigo ao me trair e me contar todos os detalhes, e em sua fala, todos ao meu redor perceberem o quão arrependido ele estava.

O Huscky Siberiano também me fez lembrar dele. Disse que me ama até hoje... risos... tudo isto por ter se relacionado com um outro homem parvo, desagradável, que o traiu com cada genitália humana que apareceu em sua frente (me parece que foram muitas!)... risos.

Nostalgia maior acontece quando assisto àqueles filmes "cults" e logo os vejo fixados na faixa lateral direita do meu blog...

Hoje, as recordações são bem menos dramáticas, algumas tristes, outras engraçadas e gostosas de serem lembradas, pois, vejo outro personagem em cena, muito mais resiliente e resolvido que os demais, os quais ruminavam compulsivamente assuntos que mereciam breve livramento.

Enfim, livre de pendências anteriores, feliz, realizado, namorando há dois anos com um parceiro surpreendente a cada minuto, deixo aqui uma questão a ser elucidada não mais por mim, mas aos que aqui habitam:

Qual é o propósito de tudo isto?